sexta-feira, 20 de julho de 2007

Tempo


Um suave gotejar
de ritmo constante,
por vezes errante
no seu modo de passar.
Faz falta e faz faltar
com seus passos misteriosos
e modos curiosos
faz mesmo esperar.

Esperar, desesperar.
Seus requintes respeitar.
Saber aproveitar as gotas,
gotejando momentos.

Os seus passos misteriosos,
num suave gotejar
chegam bens preciosos
e estão sempre a passar.

Dança


Está longe
o teu corpo,
o teu respirar,
as tuas mãos, quais pincéis
traçando o desenho
luminoso da minha alma
a dançar.
Dança agora
uma valsa triste
com desejos de tango
sedutor;
guarda a doçura salgada
da tua boca
para mais tarde partilhar
uma e outra vez,
até me cansar.
E depois recomeço,
sem nunca terminar.

Acorda agora e vem dançar.

quinta-feira, 12 de julho de 2007

Crítica

Ao analisar aquilo que escrevi, noto uma evolução considerável - no sentido positivo em vários sentidos. Os meus poemas de adolescente eram imaturos, fruto da minha visão da vida. Bem, não tão imaturos assim, mas em comparação com o que sou, com aquilo que sinto agora, estão bastante aquém...

Como já disse e repeti várias vezes, adoro escrever. Espero conseguir escrever sempre mais e mais. E melhor. Por vezes, sinto-me insegura e um pouco incapaz de escrever como antes.
Mas depois páro para pensar um pouco e descubro que não é bem assim.

Muito do que escrevi correspondeu a momentos tristes, digamos. A tristeza, a revolta interior e a força que sentia (e sinto) dentro de mim serviam-me de base, de inspiração. No entanto, a verdade é que, mais recentemente, dei por mim a escrever mais vezes por outras razões bem melhores. Espero continuar assim. Acredito que sim.
Acima de tudo, que a escrita continue a ser uma das minhas principais formas de liberdade. E que, como a mim a mesma, proporcione prazer a quem a ler.

segunda-feira, 9 de julho de 2007



O rio

O amor é como um rio
que começa pequenino,
e com todo o seu brio
aumenta, aumenta...

Esse rio desce a encosta da montanha
e vai crescendo devagar;
passa por tudo e tudo banha,
indo em direcção ao mar.

Passar por casas e ilusão,
por pontes e flores;
pois assim é o coração
de todos os amores.

Um dia, o rio fica poluído,
cheio de lixo e poeira,
como o coração ferido,
mesmo que a gente não queira.

E depois acaba o rio,
porque já beijou o mar,
pois também tem fim
a experiência de amar.

Escrito a 13 de Agosto de 1996


Escrevi este poema aos 13 anos. Representa uma das perspectivas do amor. Uma das perspectivas da adolescente que eu era na altura.
O amor sempre constituiu tema principal de tudo o que escrevo. Isto porque considero que o amor é a "coisa" mais importante da vida. Para mim, está sempre presente, de uma forma ou de outra.